Dor e limitação na rotina

A rizartrose ou artrose trapézio-metacarpiana é um desgaste da cartilagem articular que acomete a articulação da base do polegar, entre o trapézio (osso do carpo) e o primeiro metacarpo. Com a degeneração da cartilagem, surgem atrito ósseo, inflamação e deformidade progressiva, levando à dor e perda funcional.

É uma das artroses mais comuns da mão, especialmente em mulheres acima dos 40-50 anos.

Tem como causas e fatores de risco a predisposição genética, a frouxidão ligamentar ou instabilidade articular, a sobrecarga mecânica (uso repetitivo do polegar), doenças reumatológicas (ex.: artrite reumatóide) e trauma (microtraumas cumulativos ou trauma prévio).

Geralmente os sintomas e sinais clínicos mais comuns são:

  • Dor na base do polegar, especialmente em movimentos de pinça fina (abrir tampa, escrever, costurar);
  • Diminuição da força de preensão e pinça;
  • Edema e deformidade na base do polegar;
  • Crepitação e limitação do movimento; e/ ou
  • Postura do polegar em adução e subluxado.

O diagnóstico feito por médico especializado, através de exame físico e exames de imagem complementares.

 

Tratando a Rizartrose

O tratamento conservador (não cirúrgico) é indicado para fases iniciais e moderadas. Numa assistência multiprofissional pode incluir o uso de medicamentos e sessões de terapia com Terapeuta Ocupacional Especializado em Terapia da Mão e Reabilitação do Membro Superior.

Durante a reabilitação são empregadas técnicas para estabilização e proteção da articulação, redução da dor e inflamação, mobilidade ativa, fortalecimento muscular e retorno funcional.

Quando o tratamento cirúrgico se faz necessário (principalmente devido a dor incapacitante), no pós operatório a Terapia Ocupacional contribui no controle de edema, retorno da mobilidade e recuperação da função.

Com tratamento adequado e orientações funcionais, a maioria dos pacientes obtém a melhora da função, porém vale a pena reforçar que a adesão terapêutica escolhida e uso correto das órteses são determinantes para o sucesso terapêutico.

 

Dicas da TO:

1.     Princípios de proteção articular.

  • Evitar pinça forçada (ex.: segurar chaves, abrir tampas, costurar, espremer pregadores);
  • Reduzir o tempo de preensão mantida – alternar tarefas, fazer pausas;
  • Distribuir a força entre várias articulações (usar ambas as mãos, antebraços ou superfícies de apoio);
  • Manter o polegar em posição neutra ou ligeiramente abduzida durante atividades funcionais; e
  • Evitar movimentos combinados de pinça e torção (abrir potes, frascos ou maçanetas com esforço).

2.     Adaptação de utensílios e ferramentas.

  • Engrossar cabos (talheres, canetas, escovas, chaves);
  • Usar abridores de potes, tesouras de alavanca e utensílios com cabos anatômicos;
  • Preferir ferramentas que permitam empunhadura global (força distribuída na palma, não concentrada no polegar); e
  • Substituir pinça de precisão por pinça lateral ou trípode sempre que possível.

3.     Adoção de estratégias para Atividades de Vida Diária específicas.

Cozinha:

  • Use abridores de tampa com alavanca ou vácuo;
  • Apoie recipientes na bancada em vez de segurá-los na mão; e
  • Prefira utensílios com cabos longos e ergonômicos.

Higiene pessoal:

  • Escovas e pentes com cabos engrossados e leves; e
  • Cremes e pastas em embalagens tipo pump (evita torção e pinça).

Vestuário:

  • Zíper com alça ampliada ou puxador adaptado; e
  • Fechamentos com velcro em vez de botões pequenos.

Escritório / escrita:

  • Canetas leves e de corpo grosso, evitando pinça fina e prolongada; e
  • Apoiar o antebraço para reduzir carga na mão.

 

É possível prevenir a Rizartrose!

É essencial a atenção e cuidado para evitar ou diminuir o uso repetitivo e sobrecarga funcional do polegar em tarefas cotidianas.

A prática e direcionamento da Terapia Ocupacional, com ênfase ergonômica e funcional busca minimizar a sobrecarga da articulação trapézio-metacarpiana por meio de proteção articular, adaptação de tarefas e uso eficiente da mão.